João Monlevade registrou mais de mil acidentes de trânsito e 280 vítimas em 2025
O número vem crescendo ano a ano; veja detalhes sobre os locais onde ocorrem os acidentes e o perfil das vítimas
Caracterização de uma vítima de um acidente fictício, utilizando maquiagem. Simulado de resgate do Sevor, realizado em 2025.
Foram registrados 1012 acidentes de trânsito em João Monlevade em 2025, um recorde histórico. Em todo o ano, cinco pessoas morreram em sinistros de trânsito no município.
A quantidade de acidentes registrados vêm aumentando ano após ano, nos últimos cinco anos analisados. De 2024 para 2025, por exemplo, o aumento foi de 6,19%. A causa presumida de quase metade dos acidentes foi a falta de atenção no trânsito.

As avenidas principais (Getúlio Vargas, Armando Fajardo e Wilson Alvarenga) concentram o maior volume de ocorrências e são os pontos de maior atenção, provavelmente devido ao alto fluxo comercial e de pedestres.
Os dados analisados pelo portal Expresso Monlevade foram retirados do Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), extraídos por meio da Base Integrada de Segurança Pública (BISP).

Dos mais de mil acidentes registrados em 2025, 786 acidentes (77,6%) ocorreram sem vítima e 227 acidentes (22,4%) tiveram vítimas. As ocorrências sem vítimas são aquelas em que não há feridos e os danos são exclusivamente materiais.
Em 2025, os acidentes fizeram 280 vítimas em Monlevade. O número de vítimas é superior ao de registros de acidentes com vítimas, visto que uma mesma ocorrência pode resultar em mais de uma vítima.

Perfil de risco
Os dados sobre os perfis das vítimas apontam que jovens adultos do sexo masculino são os que mais se envolvem em acidentes em Monlevade.
Isso geralmente está associado a fatores como imprudência no trânsito, negligência com a segurança, maior exposição (uso de motocicletas para trabalho/entrega) e maior propensão dos homens a assumir riscos.

Vale destacar que o número real de acidentes na BR-381 em João Monlevade é mais alto do que o indicado nos gráficos acima, pois os dados mostram os acidentes registrados pelas forças de segurança estaduais, excluindo os acidentes registrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Também é fundamental esclarecer que os registros de vítima fatal levam em consideração somente as vítimas com essa condição física no momento do registro do acidente. Ou seja, não são contabilizadas as vítimas que acabaram evoluindo a óbito posteriormente.

Para o presidente do Sevor, Renato Carvalho, uma maneira de reduzir a estatística de acidentes é por meio da educação para o trânsito.
“Hoje as pessoas andam muito apavoradas, vigiando o relógio, tudo é pressa.”, alerta Renato.
A gente faz um alerta aos condutores de veículos, motoristas e motociclistas por mais prudência. A gente vê os acidentes acontecendo muito em cruzamentos e faixa de pedestres.
Renato ainda relaciona o aumento da quantidade veículos com as condições de tráfego nas vias de Monlevade. “Nós temos umas avenidas que não foram projetadas para tantos veículos. Então, o número de veículos aumentou e as vias permanecem iguais.”

Já o tenente Rubens Nery, do Corpo de Bombeiros Militar de João Monlevade, observa muitos casos de imprudência, negligência e motoristas alcoolizados.
Nós já temos uma rodovia muito perigosa, mas o trânsito dentro da cidade está muito violento por ação dos próprios motoristas.
O tenente ainda faz um pedido para os condutores e pedestres: "consciência, cuidado e bastante atenção, porque vida a gente só tem uma."
E o poder público?
O prefeito de João Monlevade, Dr. Laércio Ribeiro, demonstrou preocupação com a situação do trânsito e o número de acidentes, durante um encontro com a imprensa realizado no final de 2025.
Na ocasião, Dr. Laércio falou sobre o estacionamento rotativo para melhorar a fluidez do trânsito. Segundo ele, o rotativo deve começar no centro e progredir aos poucos para as demais regiões da cidade.
Os dados apresentados nesta matéria não são apenas estatística. As 280 vítimas de acidentes possuem família. Quando estiver dirigindo ou pilotando, lembre-se de que todo mundo tem alguém esperando em casa.
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Kinderlly Brandão
Jornalista na Rádio Alternativa 91.1 FM. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Também trabalhei na redação do Portal Mais Minas e Jornal de Brasília.






