Obra do reservatório de água no bairro Vale do Sol está abandonada há pelo menos 6 meses
Empresa abandonou obra de quase R$ 1 milhão. Após sucessivos atrasos, o DAE rescindiu o contrato. O terreno foi tomado por matagal; saiba detalhes
O valor para a execução dos serviços pela empresa vencedora (Urbanização e Serviços Bucefalo Ltda) foi de quase R$ 1 milhão. Foto: reprodução/arquivo pessoal
A obra do reservatório de água localizado na rua Etelvino Rocha, no bairro Vale do Sol, está paralisada há pelo menos seis meses. A construção foi iniciada em março de 2025, somente após a empresa contratada ser formalmente notificada pelo atraso no início dos serviços.
Em agosto de 2025, o Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DAE) constatou a interrupção total das atividades e o abandono do local.
A obra foi viabilizada por processo de licitação conduzido pelo DAE. A empresa vencedora da licitação foi a Urbanização e Serviços Bucefalo Ltda, que deveria ter realizado a obra com recursos no valor de R$ 949.500,77.
O Expresso Monlevade entrou em contato com o DAE para apurar o caso.
O contrato previa que os serviços deveriam ser concluídos no prazo máximo de 300 dias, conforme o cronograma. Esse período é equivalente a 10 meses, como consta na placa instalada no local da construção. Desde a emissão da Ordem de Serviço pelo DAE, que ocorreu em setembro de 2024, já se passaram mais de um ano e cinco meses.

Histórico de execução e paralisação
Segundo o DAE, apesar da assinatura do contrato em agosto de 2024, a obra enfrentou sérios problemas de execução, com atraso logo no início.
A Ordem de Serviço foi emitida em setembro de 2024, mas os trabalhos só começaram efetivamente em 20 de março de 2025, após a empresa ser notificada pelo DAE.
Durante a execução, a autarquia realizou novas notificações em razão da morosidade no andamento da obra.
Em agosto de 2025, foi constatada a paralisação total da obra, por ausência de respostas às notificações enviadas pelo DAE. Devido ao abandono das obras por parte da empresa e ao descumprimento do cronograma, o DAE realizou a rescisão unilateral do contrato em setembro de 2025.
Um processo administrativo para apuração das causas e eventual aplicação das sanções cabíveis à empresa foi aberto em setembro de 2025 e foi concluído em janeiro de 2026.
Situação atual
No momento, a obra está paralisada devido à rescisão contratual, e o terreno encontra-se abandonado, coberto por mato.
O DAE informou ao Expresso Monlevade que já está tomando as providências para realizar uma nova licitação e contratar outra empresa para dar continuidade aos serviços.
O objetivo da obra é ampliar o sistema de reserva de água potável no bairro Vale do Sol. Para isso, estava prevista a construção de um novo reservatório de 600 m³ em concreto armado e a instalação de uma rede adutora.
A obra deveria suprir a demanda de novos loteamentos, como o Mangabeiras II, beneficiando também bairros como Rosário, Mangabeira I e José Elói.
O DAE informou que a nova licitação deverá garantir a correta aplicação dos recursos públicos, o cumprimento dos prazos contratuais e a entrega de uma obra segura e de qualidade para a população do bairro Vale do Sol.
Fiscalização do legislativo
No dia 19 de fevereiro, o vereador Thiago Titó (MDB) apresentou um requerimento formal solicitando que o DAE preste esclarecimentos detalhados sobre os valores já pagos, as medidas administrativas tomadas, dentre outras informações.
Segundo Titó, a melhoria no abastecimento de água para o bairro Vale do Sol e adjacências é uma demanda antiga dos moradores. “Desde o mandato passado, venho recebendo reclamações de falta de água na região. A construção de um novo reservatório no bairro Vale do Sol seria uma forma de resolver ou amenizar consideravelmente esse problema”, diz Titó.
O vereador continua acompanhando o caso com preocupação. “A obra foi licitada e iniciada, mas a princípio está parada por abandono da empresa. Precisamos fiscalizar e acompanhar de perto, pois tem recurso público investido por empréstimo aprovado na Câmara Municipal”, finaliza.

Kinderlly Brandão
Jornalista na Rádio Alternativa 91.1 FM. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Também trabalhei na redação do Portal Mais Minas e Jornal de Brasília. Natural de São Domingos do Prata.







